:: documents :: workshops :: back

Seminar on the Need for Arms Management and disarmament of Civil Society, Benguela-Angola, March 2003
Conclusões do Seminário Sobre a Necessidade do Desarmamento e Gestão de Armas em Posse da População Civil realizado em Benguela de 20 à 21 de Março de 2003

De 20 a 21 de Março do corrente ano, decorreu nas instalações da ADRA em Benguela, um seminário sobre a necessidade do Desarmamento e Gestão de Armas em Posse da População Civil, promovido pela Associação Angola 2000.

Participaram ao evento Entidades Governamentais, Organizações Não Governamentais, Partidos Politicos, Igrejas, Jornalistas e Entidades Singulares num total 33 pessoas que durante os dois dias basearam-se nos seguintes objectivos:

  • Criação de um processo de auscultação e consulta junto das comunidades (Governo, ONGs, e População Civil);

  • A partilha de informações e experiências na busca de um consenso nacional para uma possível actuação;

  • Gerencia de um debate construtivo e alargado para a elaboração de uma estratégia de intervenção adequada e sustentável.


  • Durante o Workshop os participantes refletiram sobre os seguintes temas:

Tema 1- “A importância da Estabilidade, Ordem Pública e Segurança do Cidadão no Contexto Actual de paz e o imperativo para o Desenvolvimento”;

Moderado pelo Senhor Intendente Carlos Manuel da Silva Mota, em representação do Comandante Provincial da Policia Nacional, na sua locução comessou por apontar o factor guerra como uma das causas fundamentais da instabilidade social devido aos seus efeitos sociais, politicos e económicos. Uma vez conquistada a paz que se pretende ser duradoura, o interveniente apelou na sua explanação à uma necessidade de se educar favoravelmente não só aos homens da ordem como também a sociedade no geral. Para tal, declarou existir um programa nacional que visa a reitegração dos agentes da ordem na sociedade não só como impostores da justiça como que acima de tudo educadores na perspectiva de um relacionamento eficaz, isto é a criação de uma coesão social entre a população e o policia e vice versa. O fenómeno migratório, aponta para uma das causas da violencia devido as influências culturais negativas que frequentemente são transportadas para a sociedade e entram em choque com os valores e culturas existentes.

Com o advento da Paz, o Indente afirma que a policia esta disposta a assumir o seu papel e missão de prevenir a delinquência , actuar contra o delito e simultâneamente gerir confiança e a cooperação dos cidadãos por forma a que estes recebam nos serviços prestado a qualidade desejada.

Tema 2- “A Problemática da proliferação, posse e tráfico ilicito de armas de fogo e suas manifestações : Contexto Global e regional;”

Discertado pelo Sr João Rocha, (Presidente da Associação Angola 2000), na sua locução o interveniente chamou a atenção aos participantes de que a proliferação, tráfico, posse e uso ilicito de armas de fogo tem sido uma das fontes de grande consternação para a comunidade internacional nos últimos anos. Afirmou ainda que o aumento de conflitos armados, o indice elevado de violência armada que se tem verificado em varias regiões do mundo, as consequências graves que elas têm causado na vida social, económica e politica de vários países impulsionou a comunidade internacional a tomar medidas para melhor gerir, prevenir e controlar a proliferação de armas de fogo.

É assim que a nível internacional e regional a proliferação, tráfico, posse e uso ilícito de armas de fogo tem se manifestados de varias maneiras. Estudos conduzidos em varios países do mundo demonstram que a grande disponibilidade de armas de fogo, tem contribuido para o tráfico ilícito de armas; o enfraquecimento do control pelos agentes de segurança e ordem públicas; o aumento da violência e criminalidade e numa grande ameaça a saúde públlica.

Brasil, Momçabique, Combodja, são países que não fogem a realidade do nosso país. Estudos, pesquisas, e projectos estão sendo realizados tudo na intenção do desarmamento. Em resposta a este desafio a comunidade internacional tem lutado para impulcionar e dinamizar a resolução desta problemática, resultando num “Progama de Acção para Prevenção, Combate e Erradicção do Tráfico Ilícito de Armas Ligeiras e de Pequeno Porte em Todos os Seus Aspectos feito pelas Nações Unidas em Julho 2001” ; “A Declaração de Bamako pelos Países do Continente Africano em Dezembro 2000” e o “Protocolo para o Control de Armas de Fogo, Munições e Aspectos Afins pela SADC”.

    As medidas exigidas nestes documentos concentram-se nas seguintes questões:
  • A adopção e revisão da Legislação, regulamentos, procedimentos administrativos e instrumentos legais/juridicos para prevenir, combater e erradicar a problematica das armas.

  • A criação ou estabelecimento de Agências Nacionais e Regionais assim como Pontos de Contactos que serão responsaveis para definir a política, desenvolver pesquisas e monitoria do processo.

  • Desenvolvimento de acções e medidas contra actividades ilicitas: produção, comericialização, armazenamento, posse, uso e financiamento ilicito.

  • Criação de um sistema de indentificação e marcação de armas.

  • Criação de um inventário de armas em posse dos civis e não só.

  • Exportação, importação e transferência de armas por civis e outras instituições não estatais.

  • A destruição de todo armamento recolhido.

  • Educação e sensibilização em colaboração com a sociedade civil.

  • Partilha de informação.

Tema 3- “A Problemática da proliferação, Posse e tráfico ilicito de armas de fogo e suas manifestações em Angola com particular realce em Benguela”;

Moderado pelo Senhor Intendente Carlos Manuel da Silva Mota em representação do Sr. Comandante Provincial da Policia Nacional e Sr Rv. Silva Vitorino representante da Igreja Evangélica do Sudoeste de Angola IESA, o tema foi encarado como de extrema importância dado que a presença de armas nas comunidades data dos tempos mais remotos devido aos factores históricos em causa no nosso país. Sendo assim urge assim a necessidade de uma mobilização social, isto é, a participação integral dos partidos politicos com particular realce os principais actores da passada guerra, tendo em conta o seu processo de distribuição, as Igrejas, as Associações civis e outros pois consideran-se nesta altura os grande impolcionadores para uma grande mobilização e sensibilização que poem em causa um método para uma resolução imediata do desarmamento da população civil.

Tema 4- O Impacto da Violência armada na psico-moral de uma sociedade;

Dicertado pelo Sr. Manuel Rita Gaspar em Representação do INAC, a Sra Mariana da Conceição Pereira Filipe Amado Rato em representação da Organização CCF e Sra Maria do Ceu em representação do Ministerio da Familia e Promoção da Mulher; Os intervenientes demostraram com exercícios práticos os impactos nefastos que a violência armada tem causado dado aos seus efeitos sociais, políticos, económicos e morais. O trauma como uma das consequências constantes traduz-se numa sociedade impaciente, insegura e acima de tudo violenta. Para tal dever-se-á criar estratégias de intervenção que fizessem voltar a auto-estima e o respeito próprio as comunidades, reacendendo os rituais culturais, as velhas tradições de forma criar nas pessoas uma paz espiritual e uma coesão comunitária.

Tema 5- “O papel fundamental da sociedade civil no combate a proliferação, posse, tráfico ilícito e uso de armas”

Moderado pelo Sr. João Rocha, (Presidente da Associação Angola 2000); Na sua óptica, os compromissos regionais criaram uma base sólida para a resolução desta polémica, mas dada a nossa realidade, a sua execução/implementação impõe-se a um programa lógico e devidamente elaborado. Sugeriu ainda que fossem dados passos tais como:

  • A já criada Comissão Nacional para o Desarmamento Coordenada pela Policia Nacional deverá servir de ponto de contacto e coordenação entre os diversos actores no processo. A mesma deverá contar com a colaboração e contributo da sociedade civil, partidos politicos, autoridades tradicionais e demais instituições com replicação a nivel provincial, municipal e comunal.

  • Que seje responsabilidade da comissão a avaliação da dimensão e natureza do problema com acções como: investigações, workshops, observações e pesquisas/inquéritos;

  • Elaborar projectos, estipular estratégias e politicas de intervenções com base nas informações recolhidas.

Grupo 1: Identificação de projectos ou iniciativas para resolução do problema das armas de fogo.

    Objectivos:
  • Identificar projectos em curso na provincia de Benguela: sociais, económicos e politicos.
  • Analisar e identificar áreas onde as questões de armas de fogo poderão ser inseridas.

Grupo 2: Informação, educação e sensibilisação

    Objectivos:
  • Desenvolver um mecanismo e uma estratégia de recolha e partilha de informação.
  • Identificar estratégias e programas de educação e sensibilização.
  • Debruçar sobre uma necessidade ou não de uma base de dados para permitir o engajamento de todos de uma maneira construtiva.

Grupo 3: Pesquisas, Estudos e Monitoria

    Objectivos:
  • Identificar instituições nacionais e internacionais, que estão envolvidas no desenvolvimento de estudos e pesquisas em Angola, Benguela? Ver como é que essas nos podem ser úteis.
  • Definir quem deve estar envolvidas nestas pesquisas, como é que elas devem ser conduzidas e porquê.
  • Definir o papel e a importância da pesquisa e estudos no processo do desarmamento e de gestão e control de armas de fogo.

Grupo 4: Identificação de acções ou medidas para melhor controlar, gerir e resolver a problematica das armas ligeiras e de pequeno porte.

    Objectivos:
  • Identificar meios pelo quais as medidas para o melhor control devem ser aplicadas.
  • Definição do processo para efectivação das acções e identificação das instituições governamentais e outras que deverão fazer parte desta campanha a nivel de Benguela.
    Apois um debate longo onde o problema do desarmamento não foi visto apenas como presença de armas no seio da população civil mas os aspectos sociais tais como a insegurança, a falta de condições onde o armamento hoje serve de fonte de sustento, os participantes recomendam o seguinte:

  • Que a Comissão Nacional para o Desarmamento coordenada pela Policia Nacional tenha como responsabilidade, a elaboração de um programa concreto e participativo que define a quantidade de armas a serem recolhidas, prazos determinados para recolha de armas, número de entregas voluntárias e que sirva de ponto de contacto entre os diversos actores no processo. A mesma devéra funcionar até as mais baixas estruturas, isto é, vigorar num sistema de representações Nacional, provinciais, municipais e comunais.

  • Que se faça uma pesquiza nacional para a obtenção de dados tais como o número total de habitantes por área, incidencias de conflitos por zonas, zonas de referência de banditismo, índice de desemprego e ocupação social, informações sobre desmobilizados não reintegrados socialmente, zonas araveis e sub-aproveitadas, o tipo de cultura etnolinguistica e instituições implatandas em cada região.

  • Para o efeito, que se crie um protocolo de ligação entre as instituições possíveis tais como Ministério do Plano, ONGs, Partidos Politicos, Igrejas e Autoridades Tradicionais para a recolha de informações do género.

  • Que se elabore projectos/iniciativas que tendem a aspectos sociais, económicos e politicos tais como: divulgação e promoção dos direitos humanos; reabilitação/construção de infra-estruturas; fomento de auto-emprego; programas de alfabetização; formação técnico-profissional; projectos agro-pecuários, pesca artesanal; microcrédito e educação cívica e patriotica;

  • Mobilizar e sensibilizar os cidadãos através de acções de educações civicas, actividades religiosas, palestras, teatros comunitários, formação de agentes comunitários, planos de ruas, boletins informativos, programas radiofonicos e televisivos, propagandas culturais, recreativas e/ou desportivas e acções de porta a porta utilizandos lugares públicos tais como Igrejas, lugares desportivos e lazer, mercados e não só.

  • Elaborar um plano de acção à médio e longo prazo tendo em conta o papel dos intervenientes, suas responsabilidades, quais as actividades, formas de implementação, periodicidade e que valorize acima de tudo a pessoa humana e crie oportunidades aos utentes (armas), e que não permita a presença da arma como fonte de sustento ao cidadão respeitando as realidades locais;

  • Que as forças da ordem pública e segurança sejam capacitadas para melhor gestão de armas (registo, armazenamento e controlo), avaliação e monitoria do processo que se responsabilizam e assumam a coordenação do orgão multicectorial à ser criado;

  • Para o melhor controlo e gerencia das armas em posse da população civil os participantes concluiram que se faça uma investigação profunda do problema, tendo em conta as convenções existententes a nível regional e internacional e que se faça um plano de monitoria e avaliação participativa e que se faça restruturação a lei vigente no nosso país.

  • Que se crie um forum de concertação social sobre a matéria, de forma a se ultrapassar as desconfianças existentes entre os diferentes actores e assumir o problema como uma causa de todos.

Benguela, aos 27 de Março de 2003
Os Participantes


Physical address: Travessa Engracia Fragoso · Prédio nº22 · 1º Andar, Apartamento nº 1 · Ingombota-Luanda
Tel: 244- 222 39 98 47 Fax: 244-222 33 82 76