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RELATORIO DE VIAGEM DE CAMPO A ANGOLA NR 4 ( 3 DE AGOSTO A 7 DE SETEMBRO DE 2002 )

1. Introdução

Depois do sucesso dos primeiros Workshops realizados em Lu anda, Angola sobre a importância e a necessidade da gestão , controlo e educação sobre armas ligeiras no pòs- conflito angolano, houve a necessidade de extender as actividades para alèm de Lu anda.

Consequentemente, as cidades do Huambo e Malanje foram identificadas como o pròximo alvo por vàrias razões. O presente relatòrio consiste de duas partes referentes as actividades em cada uma destas duas cidades. È igualmente importante mencionar que tanto o Huambo como Malanje são capitais de provìncias com os mesmos nomes.

A provìncia do Huambo situa-se no planalto central de Angola e foi centro de grandes batalhas no decurso do conflito. Tem uma superficie de 34 270 km2 , uma população total de cerca de 1 000 000 ( um milhão ) de habitantes e tem 11 municipios. Os solos do planalto central são tambèm dos mais ferteis de Angola. Por seu turno, a provincia de Malanje tem uma população estimada em 900 000 habitantes e uma superficie maior de 97 602 km2 e 14 municipios. Devido a guerra a maior parte da população està concentrada nas capitais provinciais deixando as areas rurais grandemente despovoadas.

Tal como no caso de Lu anda, o objectivo principal da visita foi informar os participantes e a comunidae em geral sobre a importancia de desenvolver um programa efectivo de armas ligeiras em Angola implementando desta forma, um inquérito em ambas as cidades que cobriu mais de 2000 respondentes. Mais de 80 individuos representando um estrato consideràvel da sociedade civil, igrejas, partidos politicos e Governo, participaram nos dois dias de sensibilização pùblica (workshops) no Huambo e em Malanje.Tal como em Lu anda estes dois eventos foram caracterizados por grande interesse e cobertura da comunicação social nas duas cidades e nacionalmente. As cerimonias de abertura e encerramento foram conduzidas de maneira formal tendo sido brindadas com a presença do Comandante da Frente Militar Centro (Huambo) das FAA ( forças Armadas Angolanas) General Jacques Raúl e do Governador Adjunto de Malanje, do Bispo da Igreja Metodista Unida, do Superintendente Terramoto que è o Director da Divisão Civica e Moral da Polìcia Nacional no Huambo.

As delegações a ambas as cidades foram encabeçadas por Matias Capapelo ( Huambo) e John Rocha ( Malanje) cada delegação constou de três elementos adicionais de apoio selecionados do grupo de participantes formados em Lu anda, quatro representando da Angola 2000, um do Ministèrio de Assistência e Reintegração Social ( MINARS) e um da ANDAS ( Ministèrio dos Antigos Combatentes). Acreditamos que a inclusão destes elementos enriqueceu o processo formativo tendo sido encorajados pela resposta positiva da parte deles.

No decurso das cerimonias de abertura e de encerramento um cocktail foi servido para os convidados VIP e todos os participantes incluindo os representantes da comunicação social. Um total de 120 pessoas tomaram parte das cerimonias de abertura e encerramento no Huambo e em Malanje.

2. Aproximação e Metodologia

Os dois primeiros dias do Workshop de sensibilização serviram para informar os participantes sobre os desenvolvimentos sub-regionais, regionias e internacionais na matèria de proliferação de armas ligeiras.Os participantes tomaram conhecimento detalhado sobre o Protocolo da SADC Sobre Armas Ligeiras e Aspectos Afins , sobre a Declaração de Bamako e sobre o Programa de Acção das Nações Unidas sobre Armas Ligeiras. O Workshop foi igualmente usado para informar os participantes da Importancia de desenvolver um Plano Nacional de accão para Gestão, Prevenção e Irradicacão de armas ligeiras no pòs conflito de Angola. Os participantes tiveram igualmente a oportunidade de partilhar pontos de vista e oferecer perspectivas na forma de lidar com a situação.

A segunda fase do Workshop concentrou-se principalmente na formação de um grupo selecionado de inquiridores comunitàrios que seriam responsaveis pela condução e implementação do inquèrito nos cinco dias seguintes. Um total de trinta e dois participantes foram formados em Malanje ao passo que trinta individuos foram formados na cidade do Huambo.

Os participantes foram divididos em grupos comandados por um lider de grupo. A equipa de facilitadores apresentou todo o questinàrio, ajudou os participantes a compreender o conteudo de cada questão e as razões sobre determinadas questões. Os formandos foram igualmente pontualizados a respeito de alguns principos fundamentais que governam inquéritos tais como a necessidade da confidencialidade e o repeito devido ao respondente.À excepção do último bloco o questionàrio foi facilmente compreendido. A primeira fase do processo formativo foi realizada pelos facilitadores tendo os formandos recebido seguidamente novos questionàrios com os quais eles tiveram a oportunidade e entrevistar membros do seu grupo de trabalho respectivo. Tal exercicio possibilitou que tanto os facilitadoes como os formandos indentificassem qualquer area problemàtica e tomassem desse modo medidas correctivas apropriadas.O ùltimo exercicio envolveu dois individuos fazendo uma dramatização que simulou uma entrevista. Os participantes foram munidos do matèrial necessàrio, uma pasta e um cartão de identidade.

3. Avaliação e Verificação

Tal como no caso anterior , os questionàrios foram numerados, os inquiridores receberam nùmeros codificados , um nùmero especifico de questionàrios tendo sido alocados à duas areas de trabalho por dia.

No final do dia todos os questionarios seriam recolhidos e revisados pela equipa de facilitadores. Dada a grande cobertura nos meios de difusão massiva, a comunidade reagiu positivamente e o facto de o questionàrio ter sido de fàcil compreensão tornou todo o processo bastante mais fluìdo. Assim , foi possivel que alguns inquiridores terminasem as suas primeiras incumbecias e recolhessem questionàrio adicionais antes do fim do dia.

A equipa de facilitadores passou igualmente um tempo consideravel nas diferentes areas para averiguar que os trabalhadores de campo estavam de facto a trabalhar. Isto foi igualmente efectuado com o propòsito de verificar se as equipas não estavam a trabalhar em areas não lhes alocadas.

4. Relatòrio de Actividades

Os trabalhadores de campo receberam diariamente instruções claras à respeito dos locais onde conduzir os inquèritos , assim como a que estrato populacional cada inquiridor se devia dedicar. A maioria das areas a inquirir podiam ser facilmente acedidas à pè , todavia, a equipa de facilitadores fez questão de assegurar um iquerito o mais representativo possivel.

Cerimonia de Abertura

As cerimonias de abertura em ambas as cidades , foram bastante formais e receberam grande cobertura da ràdio, televisao e da imprensa escrita. Houve igualmente uma participação massiva tal como foi o caso em Lu anda. As cerimonias de abertura foram precedidas de workshops de sensibilização e a importancia das armas ligeiras no pòs conflito angolano.A cerimonia de abertura foi imediatamente seguida de um workshop de dois dias sbre assuntos relactivos à armas ligeiras. As discussões cobriram os seguintes pontos:

  • Protocolo da SADC Sobre Armas Ligeiras e Assuntos Afins

  • Declaração de Bamako

  • UNPOA

  • Protocolo de Lu saka

  • Papel da Sociedade Civil

  • Parceria entre o Governo e a Sociedade Civil

  • Importancia do controlo de Armas ligeiras no pòs conflito angolano

  • Proliferação e Desenvolvimento de Armas ligeiras

Passou-se um tempo consideravel nas perspectivas dos participantes na extensão do problema de armas ligeiras em Angola. Ficou claro da discussão que a presença e a proliferação de armas ligeiras constitui uma ameaça sèria à estabilidade social ,econòmica e politica do Paìs.Houve garnde consenso de que exitem muitas armas em posse da população civil. Enquanto a população continua a expressar o seu desejo de entregar as armas , esta vontade vem com a pre-condição de que receba algo de volta.

Um resultado importante desta empresa è o facto de que os media continuaram a fazer referencia ao nosso trabalho sempre que crimes envolvendo armas de fogo foram utilizadas. Temos igualmente informação de que a população tem estado a comentar a respeito do trabalho realizado, isto é, nos taxis e em outros lugares pùblicos.

Formação e trabalho de campo ( Inquèrito comunitàrio)

Depois de dois dias de workshop sobre a impotancia e a gestão de armas ligeiras em Angola, um total de 60 participantes foram formados para a condução de Inqueritos Comunitàrios em ambas as cidades. A formação teve lugar num periodo de dois dias e teve lugar de maneira satisfatòria.

Nos próximos cinco dias trabalhadores de campo foram enviados a comunidade para entrevistar a população e partilhar as suas experiências. Enquanto isso a equipe de facilitadoresda Angola 2000 passou um tempo consideravel com os meios de difusão massiva para explicar o conteúdo do trabalho que estavamos a realizar e as perspectivas futuras. As nossas actividades foram bem reportadas pela media nas duas provincias, nacional e internacionalmente.

O primeiro dia de trabalhos de campo è sempre dificil para os trabalhadores de campo porquanto eles têm de lidar com elevado grau de auto-insegurança e inexperiencia. Uma vez ultrapassado este periodo e a comunidade engrenou todo o processo entrou nos carris.Temos mais uma vez de enfatizar que os questionàrios foram mais faceis de entender em relacção aos de Lu anda o que evidentemente, teve um efeito na qualidade e na velocidade com a qual os questionàrios foram respondidos.

A 22 de Agosto de 2002, todos os questionàrios foram respondidos e cerimonias de encerramento foram realizadas no Huambo e Malanje no dia 23 de Agosto 2002 , respectivamente. As referidas cerimonias de encerramento tiveram grande participação do pùblico, Governantes, representatntes de partidos politicos, lideres da sociedade civil e da media. Dentre as entidades presentes à cerimonia de encerramento destacam-se:

  • General Jacques Raúl , Comandante da Frente Mililtar Centro das FAA
  • Tentente General Manuel Lu is Domingos Piteu, Comandante Adjunto da Região Militar Centro
  • Superintendente Josè Sequeira Geraldo, Director Provincial para a Educação Moral e Civica do Ministèrio do Interior no Huambo
  • Governador Adjunto de Malanje
  • Bispo da Igreja Metodista Unida

Certificados de Reconhecimento foram atribuidos aos participantes pela ajuda prestimosa no sucesso do trabalho realizado. A equipe de Malanje regressou a Lu anda no dia 24 de Agosto e a do Huambo no dia 25 de Agosto de 2002.

Outras actividades

  • Depois do regresso à Lu anda a delegação manteve uma reunião com outros mebros da Angola 2000 ( no dia 25 de Agosto) com o objectivo de apresentar o trabalho realizado aos membros bem como estabelecer estruturas organizativas que possibilitarão um trabalho efectivo da Angola 2000. Muitas pessoas exprimiram o desejo de se juntar a Angola 2000 e nesta fase estamos ocupados no processo de recrutamento.

  • Foram igualmente realizados encontros com as seguintes representações diplomàticas: Grã Bretania, Alemanha, Suècia, União Europeia, Norouega e o Instituto Alemão de Desenvolvimento GTz.

  • Foram conduzidas entrevistas com os seguintes meios de difusão massiva: Radio Ecclesia (por uma hora), Televisão Pùblica de Angola, Jornal de Angola, Jornal Agora e com o Jornal a Capital.

  • Tivemos igualmente reuniões com o COIEPA e com a rede de Paz.

  • Também realizamos encontros com entidades governamentais que manifestaram a vontade de uma cooperação mais estreita.

5. Recomendações

Os participantes fizeram as seguintes recomendações:

  • Os participantes foram unanimes em considerar que tudo seja feito para mobilizar a sociedade no sentido de trazer uma paz duradoira e retirar da sociedade todas as armas ilicitas. Isto implica a necessidade de promover uma uma cooperação estreita entre a sociedade civil, partidos politicos e governo.

  • Os participantes reiteraram igualmente que a desmilitarização psicológica e o desarmamento fisico da população è pre-condição para a consolidação do processo de paz.

  • Os participantes encorajaram todas as medidas tendentes a desencorajar a posse de armas de fogo por populares civis e a trabalhar no desenvolvimento de um plano nacional de acção para lidar com o problema.

  • A população gostaria que um maior nùmero de questionàrios fosse disponibilizados.

  • Os participantes apelaram igualmente ao estabelecimento de estruturas com caracter permanente para lidar com a questão de armas ligeiras. Apelaram para realização de actividades adicionais focando na sensibilização , educação pùblica e acções de formacão.

Mais uma vez os participantes reiteraram a necessidade de um maior envolvimento da sociedade civil nos seguintes aspectos:

  • Recolha de informação e Investigação.
  • Trabalho em parceria com o Governo com vista a um Desenvolvimento Sustentàvel.
  • Reforço da Sociedade Civil , atravez de redes de partilha de informação.
  • Formação de parcerias com outras instituições e individuos.

6. Conclusão As actividaes implementadas em Lu anda, Huambo e Malanje lançaram verdadeiramente o fundamento de actividades futuras. A cobertura pela imprensa e a facilidade com que a Sociedade Angolana, incluido o Governo, duma forma geral se identificou com os principios do projecto è uma indicação clara dos niveis de aceitação que o assunto ganhou.

Hoje o assunto de armas ligeiras e a necessidade de um processo de desarmamento sustentàvel jà não representa um taboo. Há um reconhecimento extensivo de que o sucesso so pode ser alcançado numa perpectiva envolvente e com a colaboração de todos.

Propômos desse modo que se comece a considerar a organização de um Workshop com representantes do Governo , nomeadamente:

  • Ministèrio do Interior
  • Ministèrio da Defesa
  • Ministèrio da Reinsersão Social
  • Comissão Parlamentar de Paz/ Segurança

Este encontro pode dar-nos a possibilidade de apresentarmos a estas entidades as contribuições que podemos trazer ao processo.

Por último Gostariámos de exprimir o nosso agradecimento as seguintes instituições:

  • SaferAfrica pelo seu apoio continuo e compromisso
  • Irmãs Teresianas da Comunidade das Cacilhas do Huambo
  • Igreja Metodista Unida- Malanje

Aos seguintes individuos: Miranda Jõao dos Santos, Antònio Gomes da Costa Bula, Antònio da Costa (Malamba), Amèlia Epalanga, Afonso Ngongo, Cristiana Nakale e Justino Damião.

7. Anexos


Physical address: Travessa Engracia Fragoso · Prédio nº22 · 1º Andar, Apartamento nº 1 · Ingombota-Luanda
Tel: 244- 222 39 98 47 Fax: 244-222 33 82 76